Vício em internet já é comparado a dependência química
Abril 5, 2008
Marcel Frota Anderson é um adolescente normal como qualquer outro. Ele passou a ter problemas na escola, seu desempenho estudantil não era dos melhores e por causa disso procurou a evitar o colégio. Não usava a saúde, desculpa clássica para evitar as aulas, para fugir dos recorrentes fracassos. Ele escolheu outro caminho, o virtual. Foi no ciberespaço que ele encontrou um jeito de evitar as conseqüências do mau desempenho na escola. Lá ninguém o julgava ou o cobrava por nada. Esse meio tão aconchegante se transformou na fuga de Anderson. Mais tarde, esse foi o tormento em sua vida e de sua família.
Esse é um exemplo clássico identificado por psicólogos que tratam os viciados em Internet. Ou seja, a pessoa usa a rede mundial para suprir uma carência que tem na vida real. O vício em Internet nasce, na esmagadora maioria das vezes, assim. Não há nenhuma pesquisa brasileira sobre o tema, mas um levantamento realizado pela Universidade La Salle, nos Estados Unidos, estimou em 50 milhões o número de viciados em Internet. De acordo com o Internet World Stats, 1,3 bilhão de pessoas usam Internet no mundo todo.
Anderson passou a freqüentar Lan Houses onde varava noites acordado. Quando dormia, era picado e sobre o teclado. A alimentação e higiene passaram a ser sistematicamente negligenciados e os amigos que tinha na vida real eram ignorados. Somente os amigos virtuais tinham alguma relevância na sua precária vida social. O problema escolar se agravou e o desespero da família também, sobretudo porque o rapaz ficava arredio quando era impedido de usar o computador.
“Quem passa por esse problema geralmente fica agressivo, briga com os pais e fica realmente atormentado quando está sem o computador”, afirma a psicóloga Sylvia Van Enck Meira, voluntária da equipe do AMITI (Ambulatório dos Transtornos do Impulso) do Hospital das Clínicas. O hospital já tem uma equipe que presta assistência a pessoas viciadas em Internet. O tratamento tem diversas etapas e é multidisciplinar. Os pacientes passam por avaliações que irão nortear a abordagem usada para tratar o problema. Há casos em que o viciado é tratado individualmente ou em grupo, a depender da gravidade da situação.
Na opinião de Sylvia, as mesmas motivações que levam alguém a se drogar podem levá-lo ao vício no ciberespaço. “A maioria é formada por pessoas sem perspectiva de futuro que acabaram por se envolver com isso”, diz ela. A médica revela que os casos não têm exatamente um perfil fixo. Há atendimentos para adolescentes, adultos e até idosos viciados em Internet. Os interessados em procurar ajuda no Hospital das Clínicas podem fazer isso de duas formas: por meio da página específica montada pelo hospital ou pelo telefone 11- 3069-6975.
FONTE: Universia Brasil.
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